Matérias Técnicas Aspaco Portal - Matérias Técnicas: Controle da linfadenite caseosa (mal do caroço)Controle da linfadenite caseosa (mal do caroço) 27/11/2009
Por: Luiz Claudio Nogueira Mendes – Prof. Ass. Dr. de Clínica Médica de Grandes Animais – unesp - Araçatuba
A linfadenite caseosa é uma doença infecto-contagiosa cronica, causada por uma bactéria denominada Corynebacterium pseudotuberculosis, que acomete ovinos e caprinos. É uma doença de grande importância econômica, pois leva à diminuição da produção de carne e leite e à condenação de peles e carcaças.
Era considerada uma doença rara na região sudeste até poucos anos atrás. Agora pode ser considerada uma das afecções de maior importância em nosso rebanho ovino, atingindo alta incidência na maioria das regiões e propriedades do Estado de São Paulo, devido principalmente à importação de matrizes para o crescimento do rebanho sem os cuidados sanitários adequados. A doença é encontrada em alguns rebanhos com um relativo bom manejo em 7 a 18% dos animais, por outro lado em rebanhos sem nenhum tipo de manejo sanitário pode atingir 70% dos animais.
Na epidemiologia da linfadenite o ambiente contaminado é de fundamental importância, pois o C. pseudotuberculosis pode sobreviver no solo na presença de pus por até 8 meses e na cama de feno por até 2 meses. As fontes de infecção para os outros animais são o pus dos linfonodos (gânglios) abscedados e também as secreções nasais e orais de animais com abscessos internos, principalmente nos linfonodos mediastínicos. A transmissão pode ocorrer por feridas na pele ou mesmo em pele íntegra e por contato com material contaminado (agulhas, tatuadores, brincadores) ou secreções.
Os principais sinais clínicos observados são o aumento dos linfonodos palpáveis (maxilares, escapulares, crurais, mamários e poplíteos) e a formação de abscessos cutâneos e subcutâneos, principalmente nos linfonodos, e a presença de nódulos e fístulas na pele com corrimento purulento grosso amarelado (acinzentado). Alguns animais apresentam apenas emagrecimento progressivo, pois somente linfonodos internos são acometidos enquanto que outros apresentam a forma sistêmica da doença com pneumonia crônica, pielonefrite, ataxia e paraplegia.
O diagnóstico geralmente é feito baseado nos sinais clínicos, mas deve ser confirmado por cultivo e citologia. O material para o cultivo pode ser obtido por biópsia aspirativa ou por aspirado transtraqueal. A utilização da biópsia aspirativa como método de controle na entrada de animais em exposições pela ASPACO, diminuiu o número de animais levados a feiras com abscessos e também o número de animais positivos.
O tratamento de animais acometidos não é recomendado, sendo que o descarte de animais doentes seria o ideal, mas devido aos altos índices de prevalência, a drenagem dos abscessos tem sido utilizada.  O tratamento de todos os animais acometidos é caro e de baixa eficácia portanto o criador e seu técnico precisam tomar medidas de controle e erradicação da doença mantendo um monitoramento constante.
O controle é obtido por uma somatória de manejos sanitários como descarte ou isolamento dos animais afetados, drenagem dos linfonodos, vacinação e compra de animais livres da doença com utilização de quarentena na propriedade.
A drenagem dos abscessos deve ser feita fora do ambiente que estes animais vivem (para não contaminá-lo) e todo o material deve ser coletado em saco plástico e queimado. Fazer tricotomia e desinfecção do local da punção também é importante. A drenagem dos abscessos não pode ser utilizada como único meio de controle da doença, pois existem animais que não apresentam abscessos externos e continuam disseminando a bactéria para o ambiente. A injeção de formol nos abscessos não é recomendada, pois esta substância é cancerígena para os humanos que consumam esta carne.
Portanto, outras medidas de prevenção deverão ser utilizadas, como a desinfecção dos materiais utilizados no manejo dos animais e principalmente a  vacinação. A vacinação é um meio de controle a longo prazo, pois ela reduz o número de ovinos infectados e reduz o número de abscessos em animais infectados. Após o início da vacinação, continuam a ocorrer casos clínicos o que leva o proprietário a concluir que a vacina não é eficaz e que não deve ser utilizada. Isto tem levado a um aumento significativo de casos clínicos e de perdas econômicas, às vezes não contabilizadas pelo proprietário. Mas se realizada corretamente a vacinação (vacinar animais de 3 a 5 meses ou 15 dias antes do desmame, revacinar trinta dias depois e revacinar anualmente, não vacinar animais doentes pois a vacina é controle e não tratamento) diminui o número de animais infectados em um período de tempo curto, desde que realizada com outras medidas de manejo.
As compras de novos animais devem ser realizadas com o máximo cuidado em leilões com inspeção técnica ou levando um técnico na propriedade em que a compra será realizada e que deve palpar todos os animais. Animais com abscessos ou aumentos de linfonodos não devem ser adquiridos. Novos animais, ao entrarem na propriedade, devem ficar em área de quarentena por no mínimo trinta dias e se apresentarem sinais de doença devolvidos ou descartados.
Economicamente o controle é viável, pois teremos um rebanho mais sadio com maior produção de carne e leite, com maior valorização dos animais sem cicatrizes ou lesão na pele. Portanto, é importante a utilização de vacinas, exames periódicos no rebanho, evitar animais com abscessos, descartar animais doentes, ou seja, manter uma boa sanidade do rebanho impede que a doença chegue até o plantel, e permite o controle e erradicação da linfadenite.
Nenhum arquivo cadastrado para download
Aspaco Portal - Matérias Técnicas
Visualizar todos os registros de matérias técnicas....


Aspaco Busca: