Matérias Técnicas Aspaco Portal - Matérias Técnicas: Os cruzamentos na ovinoculturaOs cruzamentos na ovinocultura 03/05/2006
Edson Ramos de Siqueira
Doutor em Zootecnia da FMVX - UNESP/Botucatu
São três os cruzamentos mis utilizados na ovinocultura:
l. Industrial
2. Triplo
3. Absorvente
A utilização de cada um depende dos objetivos a serem alcançados, da genética do rebanho e das condições de manejo.
1. CRUZAMENTO INDUSTRIAL
1.1. Introdução
As raças de ovelhas se diferenciam não apenas em sua morfologia, mas também na sua adaptação a diversos tipos de ambientes e de manejo, e na sua performance quanto à produção de carne, pele ou lã. Existem raças de ovelhas que foram selecionadas para oferecer maior aptidão para produção de carne, que ganham peso com grande velocidade, e apresentam carcaças de formato desejável e maior rendimento em carne. Raças que passaram por uma seleção geralmente feita em países de clima temperado, e sob manejo intensivo, onde a maior parte do alimento era ser-vida ao animal no cacho. Por outro lado, existem outras raças que foram selecionadas para produção leiteira. Para a ovinocultura de corte, e considerando-se a possibilidade dos cruzamentos, a importância das raças leiteiras está no fato de que suas crias recebem maior quantidade de leite, propiciando melhores condições para que a taxa de mortalidade se reduza, e para que o peso ao desmame seja mais alto. Outras, como a Morada Nova e a Santa Inês, apresentam, como principal característica, sua grande adaptabilidade ao clima tropical brasileiro. São mais resistentes aos parasitas, aproveitam com grande eficiência as forrageiras menos nobres, e suportam muito bem as condições climáticas que ocorrem na maior parte do território brasileiro, como poucas raças de ovinos. Analisando os animais mestiços, vemos as vantagens do cruzamento industrial. Além das características morfológicas herdadas, podemos observar que os indivíduos meio-sangue apresentam um somatório das características positivas das raças de seus pais, em termos de comportamento e produção. Um somatório que se deve ao efeito aditivo proporcionado por um fenômeno genético conhecido como vigorpibrido ou heterose. Por isso podemos afirmar que nos animais cruzados, também chamados de mestiços ou meio sangue, as características desejáveis das duas raças puras de origem acontecem com maior freqüência, se complementando.
Representação de um cruzamento Industrial
1.2. Os cruzamentos e o sistema de produção
A utilização dos cruzamentos será mais efetiva quando forem tecnicamente planejados, no sentido de se escolher raças que atendam às especificidades do meio ambiente. Por exemplo: considerando a produção em pasto, nas quais as condições ambientais variam muito de região para região, teremos de trabalhar com genótipos adaptados a cada região e situação. Essas condições ambientais acabam por nos fazer concluir que, na maioria das vezes, não é adequado usar raças muito exigentes puras, sendo mais vantajoso fazer cruzamentos. Então, partimos para a manutenção da linha materna de raças adaptadas a essas condições ambientais, e utilizamos, para cobrir estas ovelhas, raças mais exigentes, especializadas em carne, em sistema de cruzamento industrial. Os animais mestiços tendem a manifestar as vantagens das duas raças, tirando melhor proveito do ambiente e do manejo. São estratégias que predominam em todo o mundo onde se criam ovinos para corte de forma eficiente. Estudando estas estratégias, vamos citar um exemplo. Vamos considerar uma suposta propriedade na região Sudeste, onde se ofereça manejo e pastagem de média qualidade, e se pretenda fazer a terminação dos cordeiros em confinamento. Qualquer especializada em carne poderia ser utilizada com sucesso no confinamento, onde o manejo é intensivo, e as condições ambientais são controladas. Entretanto, na pastagem, podem surgir problemas para as ovelhas, que devem ser criadas em campo, para viabilizar economicamente a atividade. As altas temperaturas podem causar estresse térmico, enquanto a alimentação baseada no pasto de gramínea tropical, especialmente nos períodos secos , poderá não atender às exigências nutricionais desses genótipos. Em conseqüência, poderá ocorrer diminuição de taxa de natalidade e a demanda de animais muito leves, além de uma possível elevação na taxa de mortalidade. Uma Possível solução para esse problema seria a escolha de uma raça de origem tropical. Esses animais, em função de seu grau de adaptação nesse ambiente, podem manter as taxas reprodutivas e outros índices, em nível satisfatório. O problema é que os cordeiros, eventualmente, podem não apresentar o mesmo desempenho no confinamento, que os cordeiros da raça especializada teriam. O cruzamento industrial é a solução para o problema. Na pastagem serão mantidas borregas e ovelhas da raça adaptada, que serão cobertas pela raça especializada, resultando em cordeiros meio sangue. Com isso, ficará garantida maior produtividade nas fases de cria e terminação, graças à manifestação do vigor híbrido, que vai garantir aos descendentes velocidade de ganho de peso e carcaças de boa qualidade.
1.3. Raças de corte x raças mistas
Podemos analisar, da mesma maneira, as estratégias de cruzamentos industriais entre raças de corte e mistas, que resultarão nos exemplares mestiços meio sangue. É o caso do cruzamento entre animais especializados em carne, como Texel, Ile de France, Suffolk, Hampshire Down e Poli Dorset, utilizados como raça paterna; com ovelhas de aptidão mista ou produtoras de lã fina, como é o caso de Corriedale e Ideal, como raça materna. É um tipo de cruzamento que pode ser utilizado no sul do Rio Grande do Sul, onde predominam os rebanhos produtores de lã. Dessa forma, melhorar-se-ia a eficiência da produção de carne, sem prejudicar a qualidade da lã, já que todos os animais mestiços seriam destinados ao mercado.
Carneiro tipo carne da raça Suffolk cobrindo ovelhas Corriedale: cruzamento industrial.
1.4. Como planejar um programa de cruzamentos industriais Para executar um programa de cruzamento industrial, o ovinocultor vai precisar de dois rebanhos distintos: o primeiro destinado à produção de fêmeas puras, composto pela metade das ovelhas, que serão cobertas apenas com machos da mesma raça; o segundo destinado ao cruzamento propriamente dito, sendo as fêmeas cobertas por carneiros de raça especializada em carne. Os machos e fêmeas mestiços serão destinados ao sacrifício. As fêmeas puras, após processo de seleção, serão encaminhadas à reposição das matrizes de descarte. Dos machos puros, serão escolhidos os melhores para servirem como reprodutores, enquanto os demais também se destinarão ao mercado de carne. Outra opção, em termos de cruzamento industrial, é cruzar todas as matrizes e comprar a reposição. Este esquema é viável quando a disponibilidade do genótipo materno é grande e, conseqüentemente, os preços acessíveis.

2. CRUZAMENTO TRIPLO
Uma outra modalidade de cruzamento é o triplo. Nele as fêmeas meio sangue são aproveitadas como matrizes, sendo cobertas por machos puros de uma terceira raça. As fêmeas meio sangue poderiam provir do cruzamento entre raças mais adaptadas ao meio ambiente, com uma raça de alta aptidão leiteira, buscando-se fêmeas meio sangue com boa habilidade materna, o que vai diminuir sensivelmente a taxa de mortalidade de cordeiros. Além disto, teriam adaptabilidade às pastagens tropicais, sob um manejo mais simples. Essas matrizes serão cobertas por machos de raças especializadas em produção de carne. Este é um tipo de cruzamento terminal, onde a geração F2, tanto machos como fêmeas, se destina ao abate.
Representação de um cruzamento Triplo
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