Matérias Técnicas Aspaco Portal - Matérias Técnicas: Linfadenite caseosaLinfadenite caseosa 08/05/2006
Até pouco tempo a doença bacteriana conhecida como Linfadenite caseosa só ocorria em caprinos. No Nordeste brasileiro, rapidamente tomou as raças ovinas deslanadas e hoje é comum em qualquer caprino e ovino de qualquer idade em todo território nacional. Na Nova Zelândia, a incidência é relatada como 6 a 7% das ovelhas e 0,5% dos cordeiros. Na Austrália, 30% dos merinos adultos são infectados e a Linfadenite Caseosa provoca mais de 50% de todas as condenações de carcaças. O nordeste é a região brasileira onde se observa a maior freqüência da doença, devido à grande população de ovinos e caprinos, da vegetação contendo espinhos que favorecem a ocorrência de ferimentos na pele e da falta de informação adequada, por parte dos proprietários quanto a sanidade do rebanho. No Estado do Ceará, 41,6% dos animais pesquisados apresentaram abscessos superficiais e 11,5% nos órgãos internos. Em 27,7% dos abscessos o isolamento do Corynebacterium foi confirmado. Em 8% dos casos de pneumonias de pequenos ruminantes adultos e em 50% dos abcessos hepáticos de animais necropciados no Ceará, foi isolado o agente da Linfadenite Caseosa. Os animais raramente morrem de Linfadenite Caseosa, porém os prejuízos econômicos são significativos devido à diminuição da produtividade dos animais com comprometimento interno, condenação de carcaças e desvalorização das peles dos animais com abcessos. Um só abcesso pode resultar numa perda de 40% do valor da pele de ovinos e caprinos devido às cicatrizes. Nos animais com aptidão leiteira, há significativa redução na produção de leite. Nas exposições, muitos animais de excelentes fenótipos estão sendo excluídos por apresentarem a doença. Mediante a gravidade do problema o Prof. Paulo Domingues nos fornece mais informações.
LINFADENITE CASEOSA
*Paulo Francisco Domingues O QUE É LINFADENITE CASEOSA? É uma doença infectocontagiosa crônica que acomete os caprinos e os ovinos, sendo causada pela bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis. Caracteriza-se pela presença de abscessos nos linfonodos (gânglios linfáticos) superficiais uni e bilateral, podendo também se encontrar nos órgãos e/ou linfonodos internos. O C. pseudotuberculosis pode permanecer no meio ambiente por períodos de 4-8 meses, principalmente quando protegido do sol direto, e morre quando exposto a 70°C, aos desinfetantes comuns, bem como ao sol direto.
COMO OS ANIMAIS ADQUIREM A DOENÇA? A doença ocorre principalmente em ovinos e caprinos, mas tem sido descrito em outras espécies, incluindo bovinos e eqüinos. Assume importância econômica e sanitária em ovinos e caprinos. Em ovinos no Rio Grande do Sul é, principalmente, uma doença subclínica, encontrada freqüentemente em frigoríficos, razão pela qual causa perdas econômicas por condenação de carcaças ou parte dessas e pode significar uma limitante para a exportação de carne ovina. As fontes de infecção comuns são o solo, água e alimentos contaminados por fezes de animais doentes, pela secreção nasal e bucal, e por descarga purulenta de abscessos superficiais que se rompem. Os ovinos podem infectar-se por contaminação de feridas provocadas pela tosquia, castração, corte da cauda e, também, pela pele intacta. Os banhos de imersão podem ser uma fonte de infecção. O confinamento de ovinos em currais ou galpões após a tosquia ou outras técnicas que causam traumatismos favorece, também, a transmissão da enfermidade. Tanto em ovinos como em caprinos, a freqüência da enfermidade aumenta à medida que aumenta a idade dos animais. Esta doença é uma zoonose, o que significa infecção que pode ser contraída pelo homem. As pessoas envolvidas na lida com animais e em frigoríficos são os que correm maior risco.
COMO A DOENÇA SE MANIFESTA? Os sinais clínicos caracterizam-se pela presença de linfonodos periféricos aumentados de tamanho. Ocasionalmente, os abscessos se rompem drenando pus espesso e esverdeado. Os abscessos medem normalmente 4-5cm, entretanto, podem chegar até 15cm. A maioria dos animais com lesões nos linfonodos não apresentam outros sinais clínicos, porém, alguns com abscessos localizados nas vísceras das cavidades torácica ou abdominal, podem apresentar emagrecimento progressivo, às vezes, denominado como "doença da ovelha magra".
COMO IDENTIFICAR A DOENÇA? O diagnóstico presuntivo realiza-se pela presença de abscessos nos linfonodos. Para o diagnóstico definitivo o C. pseudotuberculosis deve ser isolado do pus dos animais vivos obtido por punção ou biópsia com agulha, ou coletado na necropsia ou no abate. O material colhido deve ser enviado para o laboratório sob refrigeração (4-8°C) em caixa isotérmica (isopor) para proceder ao cultivo microbiológico e identificação da bactéria.
COMO CONTROLAR E PREVENIR? Em ovinos as medidas de controle da enfermidade consistem em eliminar os animais doentes e evitar novas infecções, através de medidas higiênicas e de desinfecção dos instrumentos de tosquia, castração e assinalação. Essas técnicas devem ser realizadas em locais limpos e onde seja possível a desinfecção. Os ovinos jovens devem ser tosquiados antes dos adultos. Em rebanhos infectados deve evitar-se banhar imediatamente após a tosquia. Vacinas contendo células bacterianas e/ou toxóides empregadas em ovinos são parcialmente eficientes, diminuindo significativamente o número de animais com abscessos. O tratamento pode ser realizado com o uso de antibióticos como a tetraciclina ou florfenicol, porém, a distribuição dos mesmos nos abscessos é pequena, dificultando o processo de cura.
• Médico Veterinário, Professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia , UNESP, Campus de Botucatu, Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública - 18618-000 - Botucatu/SP - e-mail: domingues@fmvz.unesp.br
BIBLIOGRAFIA CORREA, W.M., CORREA, C.N.M. Enfermidades infecciosas dos mamíferos domésticos. 2.ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 1992. 843p. DOMINGUES, P.F., LANGONI, H. Manejo sanitário animal. Rio de Janeiro: EPUB, 2001. 224p. RIET-CORREA, F. Linfadenite Caseosa. In: RIET-CORREA, F. et al. Doenças de ruminantes e eqüinos. Pelotas: Ed. Universitária/UFPel, 1998. 658p.
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