Matérias TécnicasAspaco Portal - Matérias Técnicas: O ovinocultura e o melhoramento animalO ovinocultura e o melhoramento animal 08/05/2006
Autores:Dr. Iran BorgesProf. Adjunto do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Responsável pela disciplina Caprino e Ovinotécnica. Caixa postal 567 - Belo Horizonte, MG CEP 31.123-970iran@vet.ufmr.brAndré Guimarães Maciel e SilvaMédico Veterinário, mestrado em Zootecnia pela Escola Veterinária - UFMG. Técnico do corpo de registro da CAPRILEITE - Caprinos e Ovinos andre_vet@bol.com.br
Com o avanço crescente da ovinocultura no país na última década, tem-se a impressão de que o melhoramento foi banido do circuito, pois produtores, técnicos dos mais variados níveis, agências de fomento e até universidades e instituições de pesquisa têm negligenciado a importância que o melhoramento animal tem para quaisquer atividades de exploração tecnifiada de animais.Vários fatores conduzem a essas conclusões:Não existe um programa de âmbito nacional capaz de comprovar a prevalência de algumas características produtivas dos ovinos; Muitos produtores possuem "programas de seleção e melhoramento" próprios, levados a termo por profissionais não especializados, salvo honrosas exceções, e que via de regra poderão conduzir a atividade a resultados muito obscuros. Exemplo disso é verificar que o peso à idade adulta passou a ser sinônimo, inequívoco, segundo alguns, da capacidade produtiva do rebanho; negligenciando aspectos como a velocidade de ganho de peso antes e após a desmama, usada em várias outras culturas para mensurar qualidades inerentes às mães e suas crias, precocidade tanto sexual como de acabamento, dentre outras. Para muitos dos que apregoam tal característica como pilar da "moderna ovinocultura de corte" as demais características, como os complexos modelos matemáticos que a ciência do melhoramento genético emprega para avaliar matrizes e reprodutores, tem peso insignificante.As associações, sob liderança da ARCO, deveriam empenhar-se em difundir a anotação zootécnica, preparar testes de desempenho, testes de progênie e adotar programas de melhoramento elaborados por entidades confiáveis.O setor tem se mostrado meio apático. Alguns produtores, porém, embora representem uma minoria, tem com muita insistência negado a necessidade de programas de melhoramento genético animal dentro da ovinocultura. Lamentavelmente essa minoria exerce certa ascendência sobre o segmento produtivo, e talvez por este fato conte com muitos produtores novos na atividade.A exemplo de outras atividades do cotidiano dos consumidores, tudo deve ser provado, testado e comprovado. Não seria diferente na ovinocultura, e o melhor momento para intervir com o melhoramento é justamente no seu planejamento com vista ao futuro.Entre os anos de 1977 e 1995, a ARCO avaliou mais de 30.000 reprodutores para lã e carne no Rio Grande do Sul, dentro do Programa de Melhoramento Genético dos Ovinos (PROMOVI), sendo, em 1991, realizando o Teste de Velocidade de Crescimento.Por que não estruturar algo semelhante envolvendo os ovinos corte (lanados e deslanados) nas regiões sudeste, nordeste e centro-oeste? Possivelmente haja a necessidade de uma visão mais ampla do setor de ovinos dessas regiões, pois o que se observa é que outras culturas animais somente cresceram de forma significativa após esforços concentrados dos melhoristas, juntamente com outros especialistas das cadeias produtivas (vide exemplos dos frangos de corte, dos suínos e mais timidamente de algumas raças de bovinos no Brasil).Os ovinos e caprinos são muito promissores quanto a programa de melhoramentos genético, pois apresentam boa prolificidade, intervalo entre gerações relativamente curto, diferente do que ocorre com a bovinocultura, que tem intervalo entre gerações maior; ótima adaptabilidade a vários sistemas de exploração, além de se, esperar maior variabilidade entre as populações. Caso contrário, o que se pode esperar do futuro da ovinocultura pode ser algo pouco animador, conforme sugerem alguns melhoristas, como Morais (2000), segundo a qual existem dois prognósticos possíveis diante do atual cenário de melhoramento dos ovinos no Brasil: Um prognóstico bom (caso se consiga identificar os problemas e que os mesmos sejam corrigidos a tempo de evitar que se tornem crônicos e irreversíveis)ou ruim (se persistirem as tentativas em avançar sem o conhecimento do terreno e ignorando os reais obstáculos a serem vencidos). Sousa e Morais (2000) chamaram atenção para a forma como têm sido executados alguns "programas de seleção", notadamente na raça Santa Inês, invertendo-se os valores dados aos atributos raciais para aqueles que efetivamente possam quantificar aspectos produtivos com herdabilidade conhecida. Por fim, há opnião de Ojeda (2000), segundo a qual, caso oersistam as atuais estratégias de acasalamento e cruzamento dos ovinos deslanados, em especial com a raça Santa Inês, muito pouco será possível fazer no futuro, tendo em vista a perda do patrimônio genético realiza ano após ano, em programas que não seguem critérios eminentemente técnicos.Outra grande preocupação externada não só pelo melhoristas do setor, mas pela grande maioria dos técnicos nacionais de atuam na ovinocultura, foi fechamento do livro de registro de machos na raça Santa Inês. Tal atitude pode estar comprometendo seriamente o destino dessa raça a longo prazo, uma vez que poderá gerar, como conseqüência, um drástica diminuição na variação, redundando em prejuízos seríssimos para os futuros trabalhos de melhoramento genético.Tão importante como nas outras áreas da produção de ovinos, mas muito mais para melhoramento genéticos dos rebanhos, a escrituração zootécnica é ferramenta fundamental para que se atinjam índices zootécnicos ideais. Nessa escrituração devem estar presentes dados referentes à época de nascimento tipo de gestação que teve a mãe, peso ao nascer, intervalo entre partos, número de serviços por estação, peso médio das carcaças do lote abatido, época de acasalamento ou inseminação artificial, idade ao primeiro acasalamento, peso dos animais à desmama e pelo menos aos 105 dias, como também à idade adulta, ocorrência de problemas de toda a ordem, enfim, o máximo de informações capazes de auxiliar ao técnico que presta assistência à propriedade. Tais informações não servem somente ao programa de melhoramento, mas também ao programa nutricional, sanitário e para auxiliar no próprio planejamento contínuo de uma propriedade tecnificada. Ademais, com a escrituração zootécnica bem elabirada, o produtor não terá aqueles problemas inerentes às trocas de funcionários e/ou técnicos que geralmente acarretam ou retrocesso em vários campos de uma exploração de ovinos.