Matérias Técnicas Aspaco Portal - Matérias Técnicas: Inseminação Artificial em Pequenos RuminatesInseminação Artificial em Pequenos Ruminates 13/04/2011

GUSTAVO FERRER CARNEIRO

LUIZ ROBERTO DIAS MEDEIROS

OSWALDO GOMES NETO

 

   A ovinocultura tem alcançado níveis consideráveis de crescimento nos últimos anos, revelando um novo componente na cadeia alimentar e marcando uma participação efetiva no desenvolvimento desta atividade zootécnica.  Atenção especial deve ser dada para os avanços tecnológicos nesse ramo para promover um incremento na produtividade e na produção. Todavia, a produtividade ainda encontra-se muito aquém de seu potencial na maioria dos criatórios. A utilização de biotécnicas reprodutivas, entre elas a inseminação artificial (IA), associadas a programas de melhoramento genético, tem possibilitado avanços significativos no aumento da produtividade da ovinocultura que está diretamente ligada ao desempenho reprodutivo, sendo maximizado quando da adoção de um manejo nutricional e sanitário adequado.

   A IA se caracteriza pelo depósito mecânico de sêmen no aparelho  reprodutivo da fêmea no momento apropriado, facilitando assim o encontro do espermatozóide com o óvulo, permitindo que ocorra mais facilmente a fecundação. Nesta técnica, a fecundação, ou seja, a união do óvulo com o espermatozóide, e a formação de um novo ser, ocorrem naturalmente, sem a interferência do homem.

   A técnica de IA permite a máxima utilização dos reprodutores, agregando valor ao rebanho,podendo ser potencializada com a adoção de programas de indução/sincronização do estro e diagnóstico precoce de gestação,proporcionando manejo diferenciado às fêmeas gestantes e, conseqüentemente, nascimento de crias em boas condições físicas.

   Na espécie ovina, as limitações da IA são maiores, em virtude do obstáculo anatômico da cérvix nessa espécie, o que dificulta a técnica em si e aumenta os custos com a utilização de laparoscópico. A ampliação do uso de sêmen congelado na espécie ovina, indubitavelmente proporcionará um impulso no segmento, tanto no sentido de ganho genético, mas também no avanço econômico dessa atividade. São grandes as variações nas taxas de prenhez documentadas de ovelhas inseminadas com sêmen congelado. Esta variabilidade deve-se a vários fatores, tais como: inseminadores, carneiros, ejaculados do mesmo carneiro e horário da inseminação, qualidade dos espermatozóides, estro natural ou sincronizado, situação reprodutiva, idade, raça e condição corporal dos reprodutores e matrizes, intervalo entro o ultimo parto e a inseminação, alem do local de deposição do sêmen. Geralmente, espermatozóides congelados apresentam reduzida fertilidade após a inseminação cervical quando comparado ao sêmen fresco ou à inseminação intrauterina por laparoscopia. Muitas tentativas têm sido feitas para superar a barreira cervical em ovelhas e alcançar o útero, tendo como objetivo, aumentar as taxas de parição após a inseminação com sêmen criopreservado. A técnica de laparoscopia é atualmente a forma mais utilizada de IA intrauterina, apresentando bons resultados de fertilidade, porém, o alto custo dificulta seu uso em rebanhos comerciais. Ultimamente, vem se difundindo uma técnica de IA transcervical através do tracionamento cervical com o auxilio de pinças de Allis e utilização de aplicados rígidos com mandril fixo. Os resultados começam a aparecer, e isso gera uma expectativa muito grande no segmento, com a possibilidade da utilização de reprodutores geneticamente superiores a um custo relativamente baixo.

   Um programa reprodutivo eficiente deve estar focado em um bom manejo sanitário e nutricional, além de mão de obra qualificada para exercer a atividade adequadamente e com segurança, não esquecendo de manter um controle zootécnico do rebanho, possibilitando, através de anotações,a individualização de cada animal. (RIBEIRO, 1997)

   A maior vantagem da IA é a programação do patrimônio genético superior, já que reprodutores altamente selecionados para inseminar milhares de fêmeas por ano, enquanto que poucas fêmeas poderiam ser fecundadas por estes reprodutores se fossem servidas em monta natural. Além disso, minimiza os riscos de transmissão de doenças contagiosas no rebanho.

   Em programas de IA o sêmen pode ser utilizado fresco (puro ou diluído), resfriado ou congelado. O sêmen fresco puro é aquele coletado, analisando e fracionando em partes iguais, sem utilização de artifícios para preservar o material fecundante. O sêmen fresco diluído compreende as amostras coletadas, analisadas e acrescidas de um diluidor específico, com o objetivo de aumentar o volume, proporcionando uma concentração de espermatozóides homogênea. O sêmen resfriado deve ser coletado, analisando e adicionando o meio de resfriamento, com a finalidade de proteger os espermatozóides dos processos térmicos, alem da função de expansor do volume seminal, facilitando seu fracionamento (BICUDO et al., 2003). A baixa do metabolismo das células espermáticas a uma curva de temperatura controlada, evita o choque térmico e mantém a integridade das células espermáticas por um período de até 48 horas, possibilitando seu transporte a longas distancias. Finalmente, sêmen congelado é a amostra que foi coletada, analisada, conservada e estocada em botijão de nitrogênio liquido a uma temperatura de 196º C negativos, possibilitando a sua conservação e utilização por tempo indeterminado.

   Sousa e Bicudo (2003) comprovaram índices de gestação pós-IA realizada com sêmen fresco e resfriado, e não apresentaram diferença estatística. Um diluente de qualidade deve ser atóxico para os espermatozóides, possuindo osmolaridade e pH adequados, além da facilidade no preparo e baixo custo (GONÇALVES et al, 2001). São exemplos de diluentes: a base de leite desnatado e glicose; tris-gema; glicina-gema-leite; e água de coco (BICUDO et al, 2003). Para conferir uma proteção aos efeitos deletérios do congelamento, recomenda-se a utilização de um crioprotetor, como o glicerol (HAFEZ & HAFEZ, 2004).

 

   A IA pode ser realizada através de três métodos:

1-      Vaginal

2-      Intra-uterina por laparoscopia

3-      Trans-cervical

 

   INSEMINAÇÃO VAGINAL: trata-se de um método simples com o semen sendo depositado diretamente na vagina, próximo da entrada da cérvix. Os resultados obtidos não são tão consistentes com os espermatozóides tendo uma menor chance de fertilizar óvulos. Se a concentração espermática for adequada (em torno de 300 milhões de espermatozóides por dose inseminante), a prenhez positiva pode ocorrer, porém, não justifica o investimento da sincronização, manipulação do sêmen e inseminação das fêmeas.

   INSEMINAÇÃO INTRA-UTERINA POR LAPAROSCOPIA: o sêmen é depositado diretamente nos cornos uterinos. Trata-se de um procedimento cirúrgico não invasivo, com a fêmea colocada em uma cama especifica com a região da linha alba próxima ao úbere tricotomizada e realizada assepsia. É conveniente jejum hídrico-alimentar de 24 horas antes do procedimento, reduzindo assim os conteúdos do rúmen e bexiga.

   A cama é levantada para uma angulação de aproximadamente 40°. A parede abdominal é penetrada com dois trocáteres  para a colocação da cânula e do endoscópio na cavidade abdominal.O endoscópio é um aparelho de fibra óptica que possibilita a visão do trato reprodutivo das fêmeas, facilitando o procedimento.A cavidade abdominal é inflada com uma pequena quantidade de CO2 para facilitar a visualização do útero dos demais órgãos da cavidade.Uma pinça manipuladora é utilizada para posicionar o útero para a inseminação.Após o posicionamento do aplicador para a inseminação o sêmen é depositado.Quanto menor a manipulação uterina maior a taxa de concepção.O deposito do sêmen é realizado diretamente no lúmen de ambos cornos uterinos.O tempo do procedimento é de 2 a 5 minutos, dependendo da experiência do técnico.A técnica de IA por laparoscopia é responsável pela expansão do uso de sêmen congelado nos ovinos.

   INSEMINAÇÃO TRANS-CERVICAL: um dos complicadores para a realização de IA trans-cervical em ovinos é a anatomia da cérvix, que dificulta a passagem do instrumento de aplicação do sêmen.Foram desenvolvidas técnicas que tem melhorado consideravelmente os resultados.Inseminação trans-cervical pode ser realizada com o animal em estação em um brete com o auxílio de um especulo vaginal contendo uma fonte de luz. Pinças cirúrgicas são utilizadas para tracionamento e fixação da parede cervical.O operador então manipula gentilmente a cérvix e o aplicador para passagem dos anéis cervicais.Após a passagem do último anel, o sêmen é então depositado no corpo do útero.Em algumas raças ovinas a passagem da cérvix torna-se o principal fator complicador.É geralmente recomendado evitar utilizar borregas devido ao menor tamanho do órgãos reprodutivos e por não responderem tão adequadamente ao tratamento hormonal.

 

   Manipulação do Ciclo Estral

 

   Em programas de inseminação artificial em tempo fixo (IATF), as fêmeas são induzidas ao estro através de tratamento hormonal, favorecendo uma previsão de manifestação do estro e ovulações, e conseqüentemente o momento ótimo de inseminação. Uma das chaves do sucesso na IA é saber o momento exato de inseminar a fêmea. Uma maneira prática de controlar o momento da ovulação é através do uso de terapia hormonal para manipular o ciclo reprodutivo das fêmeas e saber o momento conveniente para que a inseminação seja realizada.Existem diversos protocolos e diferentes metodologias para sincronização do ciclo estral das fêmeas. Tanto sêmen congelado como fresco podem ser utilizados. A dose típica utilizada é de 0.25 a 0.5 ml de sêmen, contendo de 25 a 300 milhões de espermatozóides viáveis, dependendo da técnicas a ser utilizada (se intra-vaginal, trans-cervical ou intra-uterina). Com o avanço tecnológico na área de andrologia e o surgimento de novos diluentes, os resultados com sêmen congelado têm melhorado consideravelmente.O numero de espermatozóide necessário para inseminação laparoscópica é em torno de 1/3 da concentração requerida para a inseminação intra-cervical, usando-se sêmen congelado. A concentração média requerida, é de 30 a 60 milhões de espermatozóides viáveis pós-descongelamento.Sêmen fresco, assim como sêmen resfriado a 5° C, pode ser utilizado sem diferença de taxa de prenhez com até 48 horas, o que possibilita o envio desse sêmen para todo o pais.

   Diluentes para resfriamento de sêmen têm sido desenvolvidos com resultados altamente satisfatórios. A sincronização é geralmente realizada com a colocação transvaginal de esponja impregnadas com progestágenos durante 9 a 14 dias, dependendo do protocolo.Durante esse período, o hormônio é absorvido lentamente através da parede vaginal, para a circulação da fêmea.Esta concentração de progesterona inibe o desenvolvimento folicular e previne a fêmea de entrar em cio.Em seguida à retirada da esponja, os níveis de progesterona caem e os folículos passam a se desenvolver normalmente.Ao retirar as esponjas, as fêmeas ovulam dentro de 50 a 60 horas dependendo do protocolo.

   Considerações Finais

  • O congelamento de sêmen associado às técnicas de inseminação permitirá um aumento da produtividade e da produção, resultando em bons índices de fertilidade com repetibilidade.
  • O grande potencial de crescimento da ovinocultura, com tendência de multiplicação em 5 vezes nos próximos 20 anos, abre caminhos para o desenvolvimento e aprimoramento de biotécnicas reprodutivas que propiciem a maximização do potencial produtivo e reprodutivo desta atividade pecuária.
  • A biotécnica de IA desempenha um importante papel na disseminação de material genético superior, proporcionando um ganho genético e agregando valor aos rebanhos ovinos.
  • O sucesso da ovinocultura é diretamente ligado às condições oferecidas aos animais e das respostas dadas por ele, ou seja, a obtenção de bons resultados econômicos são dependentes de fatores, como: genética, nutrição e sanidade.

 

Fonte: Revista ABSI, agosto de 2007

Aspaco Portal - Matérias Técnicas
Visualizar todos os registros de matérias técnicas....


 Secretaria de Agricultura e Abastecimento
Ovelheiro Online
O Ovelheiro Ed. 133
Busca Aspaco
Aspaco no Google