Matérias Técnicas
Cínthia Lopes Meneguelo Lobo
Aline Aparecida de Oliveira
Nos últimos anos, a pesquisa em ovinocultura no estado de São Paulo direcionou-se á solução do problema da verminose, imposto pelas condições climáticas favoráveis, que causam grandes perdas à produção de cordeiros.
A verminose eleva muito os índices de mortalidade dos cordeiros, nas condições ambientais do estado de São Paulo. De acordo com SIQUEIRA ET. AL (1993), altas temperaturas e índices pluviométricos elevados propiciam a proliferação das larvas dos helmintos na pastagem, e como consequência, tem-se a morte dos cordeiros; desse modo, há necessidade de se recomendar a desmama precoce e o confinamento total dos cordeiros.
O confinamento traz como beneficio a diminuição da mortalidade dos cordeiros, do índice de endo e ectoparasitas, além de melhorar a eficiência e produtividade do rebanho (CARVALHO et al., 1999).
SIQUEIRA et al. (1993) verificaram que cordeiros confinados apresentaram ganho de peso médio diário(0,153Kg) superior aos animais mantidos em pastagem de “coast-cross” (0,088 Kg), apesar da disponibilidade de matéria seca no pasto estar acima das necessidades dos animais. O grupo de animais que permaneceu em pastagem apresentou altas taxas de infecção por Haemonchus contortus e alta mortalidade (16,23%), quando comparada com o do confinamento (0%).
PEREIRA & SANTOS (2001), verificaram que para melhor ganho de peso e redução no tempo de abate, os cordeiros devem ser introduzidos em regime de confinamento total ainda no período de cria; e salientaram as vantagens do sistema de produção em confinamento em relação à pastagem.
Estudos realizados por MCCLURE et al. (1994), mostraram que cordeiros mantidos em regime de confinamento total apresentaram maiores ganhos de peso diários e menor idade de abate em relação aos mantidos em pastagens, com sistema de pastejo alternado e abatidos com mesmo padrão de cobertura de gordura.
Para PIRES et al. (2000), o confinamento de cordeiros justifica-se porque esta é a categoria animal que fornece carne de melhor qualidade e apresenta os maiores rendimentos de carcaça e maior eficiência de produção, devido a sua alta velocidade de crescimento.
Entretanto, OSÓRIO et al. (1998) ressaltaram que a intensificação da produção ovina deve ser acompanhada de melhorias nas áreas de sanidade,alimentação, manejo reprodutivo, instalação, escolha dos animais e gestão de empresa, sendo preciso encontrar os níveis mais adequados para cada caso.
De acordo com BARROSO et al. (2006) a rentabilidade foi o principal ponto de interesse em um sistema de terminação de cordeiros em confinamento, á medida que se utilizou resíduos desidratados de vinícola associados a três tipos de fonte energética (milho moído, raspas de mandioca e farelo de palma forrageira) na alimentação de cordeiros sem padrão racial definido. Obtiveram que os resultados do resíduo de vinícola associado ao farelo de palma foram semelhantes ao da associação de resíduo e milho moído (P<0,05), sendo o ganho de peso diário dos cordeiros alimentados com a associação de milho e resíduo de 117g/dia, 71g/dia para resíduo e raspas de mandioca e, 132g/dia para resíduo e o farelo de palma, sendo responsável pelo menor custo de produção.
CARDOSO et al. (2006) obtiveram consumo de matéria seca de 0,968; 0,773 e 0,765g/dia quando forneceram níveis crescentes de FDN (25, 31, 37 e 43%) na dieta de cordeiros confinados mestiços Ille de France X Texel, alimentados com silagem de sorgo hibrido como volumoso e milho em grãos triturados como concentrado, em dietas isoprotéicas (17% de PB). O ganho de peso médio diário alcançado foi de 0,321; 0,318; 0,239; 0,188 g/dia respectivamente, para os níveis de (25, 31, 37 e 43%) na dieta.
PINEDA et al. (1998) constataram que cordeiros mestiços Pelibuey X Rambouillet-Dorset obtiveram melhor ganho de peso (0,238 g/dia) em confinamento total quando comparados aos puros Pelibuey(182 g/dia), alimentados com dieta de 94% de concentrado e gramínea Panicum maximum. O consumo médio diário de matéria seca após 64 dias de confinamento foi de 1206 g de concentrado e 75 g de volumoso para cordeiros mestiços e 755g de concentrado e 75 g de volumoso para os machos puros.
PIRES et al. (2000) confinaram 18 cordeiros mestiços Texel X Texel e Ideal, que permaneceram com as mães na fase de cria por 45 dias, obtiveram valores médios de desmame de 19,14 Kg, ganho de peso médio diário de 336 g e 105,75 dias de confinamento.