Profilaxia, controle e tratamento dos problemas de umbigo em cordeiros recém-nascidos

Introdução
As infecções umbilicais dos recém-nascidos são causadas por diversos fatores ambientais, higiênicos, traumáticos, bacterianos, entre outros, que isolados em associação provocam onfalite, onfaloflebite, onfaloarterite, uraquite, onfaloarterioflebite, onfalouracoflebite, onfalouracoarterite, panvasculite com septicemia e metástase para outros órgãos, em muitos casos, e ocasionados por diversos agentes infectantes. Devido á diversificação dos agentes infectantes e as diferentes sensibilidades aos antibióticos, é de suma importância a identificação do principal agente etiológico através de cultura e identificação dos tecidos afetados, prática muitas vezes difícil ao nível de campo.

Profilaxia e controle
A contaminação do ambiente pode dever-se a secreções uterinas ou do úbere materno sobre a cama, ou mesmo de partos anteriores, ou ainda a secreção de outros animais recém-nascidos com problema (BLOOD E RADOSTITS 1991). O local destinado à parição deve estar limpo e a cama substituída logo após o parto. As mãos do operador precisam estar bem limpas, com unhas aparadas e desinfetadas (JARDIM 1977; JARDIM 1987; ALMEIDA 1998).

Logo após o nascimento e quando a região umbilical ainda não teve contacto com o solo, age-se da seguinte maneira: com pinça hemostática esterilizada, fixa-se a parede do cordão umbilical e, com pinça simples, abre-se o orifício do mesmo e ai coloca-se tintura de iodo; esta manobra é necessária, porque o tratamento das paredes externas do cordão umbilical é pouco eficiente contra possíveis infecções.

Quando for conveniente, recomenda-se o uso de substâncias repelentes a moscas (GRUNERT 1989; GARCIA 1996). Sempre é conveniente cortar o cordão umbilical do recém nascido a poucos centímetros da base (JARDIM 1977; FIGUERÊDO 1999). Segundo SOERENSEN et al. 1994, em estudo com Láparos, a letalidade da doença era de 82% e, quando foi instituída a desinfecção do umbigo com tintura de iodo, no dia do nascimento, não somente foi solucionado o aparecimento dos abscessos subcutâneos, mas também o da onfaloflebite.

Grande parte do êxito na parição quer na percentagem de cordeiros nascidos, como principalmente na maior sobrevivência dos mesmos, estará na dependência direta das condições em que viveu a ovelha gestante. Sempre que houver carência alimentar durante a gestação, especialmente nos últimos 60 dias, poderemos prever, como resultado: a) o nascimento de um cordeiro débil;
b) deficiência no aleitamento da cria e, por ultimo
c) uma redução apreciável no peso da lã, agravado ainda com a falta de resistência das suas fibras, pelo excessivo afinamento (VIEIRA S/R). Segundo BLOOD 1991, quatro são os princípios de controle e prevenção de doenças infecciosas em animais pecuários recém-nascidos. ‰

– Eliminação da causa da doença no ambiente: O animal deve nascer num ambiente limpo e seco. A aplicação de tintura de iodo no umbigo previne a aquisição de infecções. Num ambiente altamente contaminado é recomendável, podendo ser mais eficaz a ligadura dos vasos umbilicais ao nível do abdome.

– Afastamento do recém-nascido do ambiente infectado: Em alguns casos de densidade populacional elevada e na presença de doença conhecida, pode ser necessário transferir o animal recém nascido temporária ou definitivamente, para um ambiente que não esteja infectado.

– Estimulo e manutenção da resistência inespecífica do recém-nascido: Após um parto bem sucedido, a medida subseqüente importante para prevenir a ocorrência de doença neonatal é assegurar que o recém-nascido mame o colostro o mais cedo possível.

– Aprimoramento da resistência especifica do recém-nascido: A resistência especifica do recém-nascido às doenças infecciosas pode ser acentuada mediante a vacinação da mãe durante a gestação, para estimular a produção de anticorpos específicos que se concentram no colostro e são transferidos para o recém-nascido após o nascimento.

Tratamento
GARCIA 1996 E FIGUERÊDO 1999, relatam base do tratamento das afecções da região umbilical que pode ser resumida no esquema abaixo:
1. Terapia conservativa ‰ Terapia local (limpeza e desinfecção do local). ‰
Terapia sistêmica (antibioticoterapia injetável).
2. Terapia cirúrgica
2.1 Sem laparotomia ‰ Incisão e drenagem de abscessos: abscessos aderidos à parede muscular. ‰ Ressecção total de abscessos: abscessos com parede espessa.
2.2 Com laparotomia ‰ Herniorrafia: hérnia umbilical.

Ressecção de estruturas umbilicais intra-abdominais com ressecção de ápice da bexiga: uraquite e onfaloarterite com envolvimento da bexiga.

Drenagem com ressecção de estruturas umbilicais intraabdominais: abscessos maiores que 10 cm de diâmetro com envolvimento de estruturas umbilicais intra-abdominais. ‰ Marsupialização: onfaloflebite purulenta com envolvimento do fígado. Os casos de onfalite devem ser tratados localmente, através da limpeza do local e aplicação de soluções anti-sépticas.

Caso sejam detectados sinais sistêmicos (febre, apatia, anorexia, etc.), pode ser necessária a antibioticoterapia sistêmica e eventual tratamento de suporte com hidratantes, glicose e vitaminas. Em certos casos, há ocorrência de abscessos intraperitoneais, quando se faz necessária á intervenção cirúrgica (GARCIA 1996). As artrites, sinovites e tendovaginites em bovinos, ovinos, caprinos, eqüinos e suínos, ocasionadas por diferentes microorganismos, principalmente Corynebacterium, Salmonella, Brucella, Escherichia, Staphylococcus e Streptococcus, 15 geralmenteem recém-nascidos e jovens, deve ser tratada puncionando e esgotando o liquido (CORREA et al.1984).

Em seus estudos, BOELTER 1987, destacou como medicamentos de primeira escolha para o Corynebacterium a Penicilina G procaína e Ampicilina e, como segunda opção, Terramicina, Espiramicina e Eritromicina. Ambos usando como terapêutica auxiliar a drenagem dos abscessos e o uso de antisépticos. O princípio fundamental do tratamento conservativo consiste em obter um diagnóstico etiológico, se possível. Quase todos os antibióticos usados nos animais adultos também são utilizados em animais recém-nascidos.

Têm-se empregado com êxito doses de antibióticos para adultos em animais recém-nascidos, embora tal prática ainda precise ser avaliada. Na infecção por Streptococcus, a penicilina é eficaz em todas as formas da doença, desde que não tenha havido lesões estruturais irreparáveis. Em recém-nascidos, a dose deve ser alta (20.000 UI/Kg PV), devendo ser repetida pelo menos uma vez por dia, durante três dias.

Se houver supuração por sete a 10 dias. (BLOOD e RADOSTITS 1991). Na abertura umbilical podem ser colocados preparos de penicilina, sulfamidas ou aureomicina, pomadas ou pós. Para apoiar as próprias defesas corporais, pode ser tentada a administração de gamaglobulinas ou de soro hiperimune antiestreptocócico (BEER 1988).

Nas infecções por Corynebacterium pyogenes, em geral, são recomendados pelos seus bons resultados o soro antipasteurela (cerca de 50-100 ml. IM ou SC, repetidos até a cura), gamaglobulinas, sulfamidas e os antibióticos (estreptomicina, oxitetraciclina, clorafenicol, eritromicina e cloromicetina), se é o caso, em uma combinação com uma terapêutica estimulante inespecífica (BEER 1988).

Considerações finais
As infecções umbilicais acometem, com maior freqüência, animais recém-nascidos do que cordeiros com algumas semanas de vida. ‰ A mortandade de cordeiros em diferentes idades constitui, em nosso meio, um fato comum, que reduz consideravelmente a percentagem de sobreviventes e, conseqüentemente, ocorre uma queda na taxa de crescimento do rebanho, em proporção tal, que não permita a seleção de refugo anual e, substituição das matrizes que atingem a idade limite de reprodução.

A higiene de recém-nascidos e de instalações é de grande importância para o controle das infecções umbilicais, bem como a utilização de manejo adequado do rebanho e instalações. ‰ O uso de antibioticoterapia e imunização é uma prática aconselhável para tratamento dos animais doentes ou como prevenção a infecções e, em alguns casos, onde a doença está mais avançada, a cirurgia é a uma prática de abordagem indicada.

Fonte
Alguns aspectos sobre as onfalopatias em cordeiros
Prof. Adelmo Ferreira de Santana – Caprinocultura e Ovinocultura – E-mail afs@ufba.br Depto. de Produção Animal Escola de Medicina Veterinária Universidade Federal da Bahia
André Luiz Lima Passos – Acadêmico de Medicina Veterinária Monografia apresentada como parte de conclusão do curso de Medicina Veterinária-Julho/2001